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Cão selvagem, lobo brasileiro. Provém esta palavra do verbo u - comer, do qual se forma com o relativo g e a desinência ara o verbal g-u-ára - comedor. A sílaba final longa é a partícula propositiva ã que serve para dar força à palavra.
G-u-ára-á -realmente comedor, voraz.
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Cobra conhecida; de gi - machado, e boia - cobra. O nome foi tirado da maneira por que a serpente lança o bote, semelhante ao golpe do machado; pode traduzir-se bem: cobra de arremesso.
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A serpente gigante que habita nos grandes rios e engole um boi. De suu - animal, e cury ou curu - roncador. Animal roncador, porque de feito o ronco da sucuri é medonho.
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Alusão que faz o velho Andira ao nome de Irapuã, o qual, como se disse, significa mel redondo.
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Todo esse episódio do rugido da terra é uma astúcia, como usavam os pajés e os sacerdotes de toda a nação selvagem para se imporem à imaginação do povo. A cabana estava assentada sobre um rochedo, onde havia uma galeria subterrânea que comunicava com a várzea por estreita abertura; Araquém tivera o cuidado de tapar com grandes pedras as duas aberturas, para ocultar a gruta dos guerreiros. Nessa ocasião a fenda inferior estava aberta, e o pajé o sabia; abrindo a fenda superior, o ar encanou-se pelo antro espiral com estridor medonho, e de que pode dar uma idéia o sussurro dos caramujos. - O fato é, pois, natural; a aparência, sim, é maravilhosa.
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arroz; Iracema serve-se da imagem do arroz que só viça no alagado, para exprimir sua alegria.
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Pau-ferro; de ubira - pau, e antan - duro.
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Gato selvagem.
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Porco-do-mato, espécie de javali brasileiro. De caeté - mato grande e virgem, e suu - caça, mudado o s em t na composição pela eufonia da língua. Caça do mato virgem.
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Vimos que guará significa voraz. Jaguar tem inquestionavelmente a mesma etimologia; é o verbal guara e o pronome já - nós. Jaguar era, pois, para os indígenas, todos os animais que os devoravam. Jaguareté - o grande devorador.